Indian:
How To Make Lentil Soup
Hein, este blog é só surpresas!
Claro que sim, gostava de escrever um livro, se soubesse escrever. Falaria por exemplo do senhor da biblioteca. Daquele senhor alto que empurra o carrinho cheio de livros, revistas e jornais científicos. Aquele que olha para mim com um meio sorriso e a quem eu não correspondo, porque não percebo se é um sorriso ou se é apenas um esgar, um trejeito de expressão, um default mode. Justifico-me na minha incerteza cobarde. O senhor que vive em silêncio, anda em silêncio, coloca os livros lentamente nos seus lugares e sorri aos utentes usuais da biblioteca, que raramente lhe sorriem de volta. Escreveria sobre ele, sobre pessoas como ele. Pessoas que vivem em silêncio. Que trabalham em solidão. Que me lembram o querido Sr. José do livro “Todos os Nomes” do Saramago.
Escreveria sobre aquela senhora do documentário “Reino Pacifico”, a que sente uma empatia especial pelos animais que sofrem, que com o seu amor inspira todos à sua volta, que chora ao contar sobre o borrego que não conseguiu salvar, que ri ao observar as galinhas depenadas e desajeitadas a darem os primeiros passos na liberdade, depois de serem salvas. Que conseguiu, com este seu amor, construir uma quinta para onde leva animais que resgata dos campos de concentração da industria alimentar. Aliás, nem só escreveria, se fosse homem pedia-a em casamento.
Ou então sobre o dono da mercearia da esquina, um local em vias de extinção. Escreveria sobre como ele me sorri, claramente, e eu sorrio de volta a cumprimentá-lo. Aquele senhor que, teimosamente, não se deixa vergar pelas grandes superfícies, nem pelos franchisings. Aquele que me deve rogar pragas por nunca lá ter posto os pés, apesar de o cumprimentar educadamente, porque não sabe que sou tímida e o meu alemão é um suplicio e que transpiro só de pensar em ter que manter uma conversa nessa língua. Aquele que põe banquinhos à porta da mercearia, para os velhotes se sentarem a conversar. O único que se preocupa com aquele senhor na cadeira de rodas, muito sujo e barba imunda, deixa-o ficar ao pé dos banquinhos, um senhor com um ar muito triste, olhos muito azuis que nos inspeccionam a alma quando passamos. Aquele que remodelou a sua lojinha, acrescentou-lhe uma vitrina, que fica à porta à espera de clientes, a olhar as pessoas. A ver-me a mim passar e nunca lá entrar. Até me dói a cabeça só de pensar nisto, imagine-se se escrevesse um livro.
Escreveria sobre pessoas como a Maria, tentaria entrar na cabeça delas, no vazio das suas vidas, na pequenez dos seus interesses, nos preconceitos que as inundam, nas contradições daqueles cérebros. Ai os chineses, ai os indianos, pretos credo socorro, ai que cheiro, ai o raio do cão, ai o raio do gato, ai aqueles cachorrinhos que lindoooss. As Danielle Steel e as Nora Roberts que enchem as suas prateleiras, as telenovelas que vêm, as telenovelas que fazem. O veneno doce que espalham.

NOTHING cheers up my dad, like stories of my success. So if he's down, or obsessing about something, I'll immediately conjure up a blossoming career. I'm shooting for the New York Times. The New Yorker. Multi-million dollar advertising campaigns. Sometimes it's true, sometimes it's not. But it doesn't matter. The important thing is to fill him with as much joy as I can. His face bursts with happiness. He'll say "I have to tell ALL my friends, my son is famous!".


A técnica de marketing mais irónica que a biotecnologia industrial inteligentemente espalha é que existe para acabar com a fome no mundo (soa bonito não soa?). Isto quando os estudos demonstram sistematicamente que o problema da fome não é a falta de alimentos, mas sim o seu acesso, ou seja, a sua distribuição. E esse problema não só continua, como piora a cada ano que passa. Apesar das boas intenções que clamam ter, a biotecnologia criou uma tecnologia chamada Terminator Technology (Tecnologia Exterminadora). Esta tecnologia baseia-se num gene suicida introduzido nas sementes, para que após a primeira colheita, as sementes se "suicidem". Não se pode guardar a semente, porque a semente fica estéril e não germina. O que leva a uma total dependência da empresa fornecedora de sementes, um monopólio muito poderoso. Há 15 patentes desta tecnologia "suicida" em empresas de países desenvolvidos. Conseguem imaginar o que acontecerá caso este gene suicida contamine as outras colheitas espalhadas pelo mundo? Nota: O co-proprietário do gene exterminador é o governo dos EUA."Ramchand Pakistani is derived from a true story concerning the accidental crossing of the Pakistan-Indian border during a period (June 2002) of extreme, war-like tension between the two countries by two members of a Pakistani Hindu family belonging to the 'untouchable' (Dalit) caste, and the extraordinary consequences of this unintended action upon the lives of a woman, a man, and their son.
♥
Um bom desaniversário para mim!
Para quem?
Para mim!
Para ti!
Um bom desaniversário para ti!
Para mim?
Para ti!
Oh sim!
Vamos cumprimentar-nos com uma chávena de chá!
Um desaniversáriooooo paaaraaaa tiiiiiii!
(...)
Entao hoje é o meu desaniversário!
Ai é?
Que coincidência!!!!!
Bem, nesse caso...um bom desaniversário!
Para mim?
Oh sim!
Um bom desaniversário!
Para mim?
Sim, sim!
Agora sopra a vela mas nao queimes o nariiiiz!
Um desaniversáriooooo feliiiiiiiz!!!!!!
♥

o Miguel Sousa Tavares acerta mesmo na mouche:
"Podia ter acabado aí a sorte do homem, mas não. E, desta vez, sem que ele tenha sido tido ou achado, por pura sorte, descobriu-se que, mesmo depois de ter saído da CGD, conseguiu ser promovido ao escalão máximo de vencimento, no qual vencerá a sua tão merecida reforma, a seu tempo. Porque, como explicou fonte da "instituição" ao jornal "Público", é prática comum do "grupo" promover todos os seus administradores-quadros ao escalão máximo quando deixam de lá trabalhar. Fico feliz por saber que o banco público, onde os contribuintes injectaram nos últimos seis meses mil milhões de euros para, entre outros coisas, cobrir os riscos do dinheiro emprestado ao sr. comendador Berardo para ele lançar um raide sobre o BCP, onde se pratica actualmente o maior spread no crédito à habitação, tem uma política tão generosa de recompensa aos seus administradores - mesmo que por lá não tenham passado mais do que um par de anos. Ah, se todas as empresas, públicas e privadas, fossem assim, isto seria verdadeiramente o paraíso dos trabalhadores!
Eu bem tento sorrir apenas e encarar estas coisas de forma leve. Mas o 'factor Vara' deixa-me vagamente deprimido. Penso em tantos e tantos jovens com carreiras académicas de mérito e esforço, cujos pais se mataram a trabalhar para lhes pagar estudos e que hoje concorrem a lugares de carteiros nos CTT ou de vendedores porta a porta e, não sei porquê, sinto-me deprimido. Este país não é para todos."
Ler o resto aqui, no Expresso online.
(Obrigada Sonia por me alertares para esta excelente crónica :) )
Veja-se o caso do Haiti. Há 20 anos era um país auto-suficiente em arroz, a preços razoáveis. Em 1995, o FMI impôs um plano de liberalização económica, com desarmamento alfandegário drástico. O mercado haitiano foi invadido por arroz proveniente dos Estados Unidos e altamente subsidiado. Resultado: hoje o Haiti importa 80% do arroz que consome e ao dobro do preço anterior.
Este é, por isso, um tempo para aprender lições e não as esquecer.
A primeira é que sempre esteve errado o credo desenvolvimentista assente na destruição da pequena e média agricultura de subsistência e na sua substituição pela produção intensiva para exportação. O dogma do comércio livre que, na prática, funciona como liberalização unilateral a adoptar pelos mais pobres e exportação em massa dos excedentes subsidiados pelos mais ricos só ajudou a pôr essa falência em evidência, se necessário era.
A segunda lição é que, de facto, o capitalismo não tem fronteiras. Só que, desta vez, as fronteiras que desapareceram foram as da decência mínima: se for preciso condenar milhões à fome para obter ganhos na bolsa, não há que hesitar. Sobretudo se esses ganhos forem suficientemente tentadores para o capital financeiro poder compensar as perdas do subprime.
Terceira lição: é claro que a fome exige medidas de urgência. Quando o Presidente do Banco Mundial avisa que os preços dos produtos agrícolas vão continuar a subir durante os próximos 7 anos, ele sabe que não será nunca em menos do que isso que se corrigirão as causas profundas da dinâmica galopante da vulnerabilidade alimentar no mundo, sobretudo no mundo pobre.
Mas atenção às armadilhas: foi sempre em nome da urgência – e da salvação dos pobres, pois claro – que se decretaram os choques liberalizadores, a extinção das agriculturas tradicionais e outras modernizações civilizadoras. Como é alegadamente em nome da urgência – e da salvação do planeta, pois claro – que Sócrates quer ser o campeão europeu da incorporação de bio-combustíveis nos transportes, mesmo que à custa do incentivo perverso dado – prometeu ele – a Angola e a Moçambique para serem os nossos fornecedores.
Se algo de positivo há nesta ameaça de catástrofe é ela forçar-nos a repensarmos a pequena e média agricultura como uma prioridade e não como um anacronismo. Talvez esteja na altura de percebermos que a luta pela preservação das hortas no centro das nossas cidades e a luta contra a liberalização mundial do comércio dos produtos agrícolas nos termos em que a quer a OMC não são lutas simétricas mas gémeas.
José Manuel Pureza"
José Manuel Pureza é professor na Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra e especialista em Relações Internacionais. O texto foi escrito a pedido de Daniel Oliveira (tema: a crise alimentar no mundo), publicado em Maio de 2008, para o Arrastão.
Skhizein (Jérémy Clapin,2008) from Stephen Dedalus on Vimeo.


"Jin Young Yu (JYY): My works are about the “invisible people.” I wanted to talk about the stories of the people who said, “I definitely don’t know them, but they knew me so well. They said they worked with me for over a year. To me, that person was a transparent existence that neither did or didn’t exist.”
It was too simple to define them as “the alienated people” or “the depressed people”. Instead, I thought that I, or we, could easily be one of them. My works are about people who, instead of getting along with others, choose to keep a distance from them, and be invisible or be left alone unconcerned. Instead of trying to fit into the world, they climb into a space of their own and reject other people’s intrusions.
My works feign expressionless faces. They are holding their tears back and swallowing them, or they try to put on a cool face despite the traces of tears on their faces. Or simply, they seem to have something hiding behind the hurried pretense of their expressionless faces. Looks on their faces that don’t make people approach them with ease - a subtle look of suspicion and caution keeps others from easily approaching them."
Podem ler o resto da entrevista a esta extraordinária artista da Coreia aqui




The Age of Stupid Global Trailer w/Brazilian Portuguese subtitles from Age of Stupid on Vimeo.
Site
Estima-se que mais de 27 milhões de pessoas no mundo sofrem nas mãos do negócio sujo de tráfico de humanos. Literalmente são escravos: desde trabalho infantil, a exploração de imigrantes, ou a prostituição. 24% das vitimas do tráfico humano são crianças, 66% são mulheres e 79% do total das vitimas são sujeitas a exploração sexual (dizendo assim não dá bem para entender o que isto significa, é inimaginável). A ideia é tão estranha na nossa Europa moderna que dificilmente compreendemos como é que alguém cai nas mãos de tráfico humano. É por isso que vos mostro este documentário. Atentem bem para onde é que a maioria das vitimas de tráfico humano com fins sexuais se destinam (não, não é a Turquia).